Jovem da Comunidade Anglicana partilha experiência no Sínodo da Amazônia
Reproduzimos abaixo reportagem do portal A12.com.
O jovem Daniel dos Santos Lima, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, participa da Assembleia Especial do Sínodo para a Amazônia como Delegado Fraterno.
O Sínodo, que reúne bispos da região Pan- Amazônica, padres, especialistas, chefes de dicastérios, representantes de congregações religiosas e membros de nomeação pontifícia, entrou em sua última semana atividades, devendo ser concluído no próximo domingo (27).

O A12 conversou com Daniel sobre sua participação e contribuição no Sínodo da Amazônia. Ele explicou que os delegados fraternos não têm direito a voto, mas podem partilhar experiências que suas Igrejas já vivem e que possam ajudar na caminhada da Igreja Católica.
A12 – Qual a função de um Delegado Fraterno?
Daniel Lima – É próprio dos Sínodos da Igreja Católica ter uma presença Ecumênica, principalmente de Igrejas que vivem a tradição apostólica, que tem uma comunhão espiritual.
O Santo Padre convida algumas pessoas de outras Igrejas. Nesse caso, nós somos cinco delegados fraternos para participar das discussões.
A12 – O que você partilhou neste Sínodo?
Daniel Lima – Eu trouxe a minha experiência na Comunidade Anglicana de Manaus, que trabalha com as mulheres indígenas do Alto Rio Negro. O Sínodo está se debruçando sobre essa questão. Além disso, a nossa comunidade em Manaus está presente na periferia, em uma ocupação que tem quase quatro mil famílias. Nós somos convidados ali a construir o Reino de Deus, a partir da busca pela justiça social. Todas as pessoas têm direito à moradia.
Não podemos, como Igreja, ficar de braços cruzados. Temos que ajudar essas pessoas. O Reino de Deus acontece na prática. Não é apenas orando, apenas lendo a Bíblia, mas é colocando na prática. E essa prática se dá com o povo de Deus, com as mulheres indígenas, com os moradores do bairro da Fé, em Manaus. E é essa experiência que trago para compartilhar com os padres sinodais, com os irmãos da Igreja Católica.
A12 – Como tem sido essa experiência e que caminhos tem enxergado que este Sínodo possa contribuir com a essa realidade?
Daniel Lima – Eu me sinto muito bem acolhido, principalmente pelo Papa Francisco. Ele tem mostrado que nós podemos caminhar em comunhão, principalmente com a questão climática. O cuidado da Casa Comum passa por uma conversão ecológica. É uma conversão para toda a comunidade cristã. Todos os cristãos seguidores de Jesus, do Evangelho são convidados, nesse momento, a buscar uma conversão ecológica. Podemos caminhar juntos.
A questão da emergência climática não toca apenas a Igreja Católica, mas nos toca a todos como seres humanos. É esse caminho que a experiência do Sínodo está nos mostrando.